Você sabia que vai pagar taxa do cheque especial mesmo sem usar?

Fique atento às novas regras do Banco Central

Se 2020 começou com a notícia boa de que o Banco Central (BC) limitou os juros do cheque especial para no máximo 8% ao mês. Por outro lado, o consumidor pode pagar caro por outra regra estabelecida, agora até quem não utiliza o cheque especial pode ter que pagar uma tarifa. 

Os correntistas que têm cheque especial acima de R$ 500 são obrigados a pagar uma tarifa de até 0,25% ao mês a partir de 1º de junho. Vejamos o exemplo: suponha que você tenha um limite do cheque especial de R$ 1.000,00, desse dinheiro, R$ 500 é isento, sobra outros R$ 500. Neste caso, o banco vai cobrar até R$ 1,25 por mês (0,25% de R$ 500) mesmo você não utilizando.

Uma outra situação é se você realmente utilizar o cheque especial durante um mês com o crédito de R$ 1.000,00, com a nova taxa limitada pelo BC, de 8%, o valor a ser pago ao banco vai ser de R$ 80 de juros, menos R$ 1,25 da tarifa.

De acordo com o BC, são 80 milhões de clientes que têm limite acima de R$ 500. Além disso, outras 19 milhões de pessoas têm limite abaixo dos R$ 500. 

O que fazer?

Tenha consciência dos seus direitos. O BC definiu também que os bancos têm que avisar os clientes sobre a cobrança da tarifa até um mês antes da cobrança. Neste caso, os clientes têm o poder de escolha.

Lembre-se que em hipótese alguma o banco pode começar a cobrar a tarifa sem avisar. Caso ele cobre, você pode entrar com uma ação judicial baseada no artigo 39 do Código de Defesa do Consumidor que trata de práticas abusivas. Vale ficar de olho no extrato bancário. 

Em geral, o cliente tem algumas opções. É possível pedir que o banco retire o limite logo antes da tarifa começar a ser cobrada. Outra alternativa é tentar negociar com a instituição, se você é cliente antigo e tem um cheque especial mais alto, o banco pode abrir mão de cobrar ou diminuir a porcentagem. Reflita se um limite considerável pode fazer falta na hora da emergência.

Cuidado com as dívidas

Falando em emergência, muita gente utiliza o cheque especial com frequência e não presta atenção nos juros. O benefício não é um complemento de renda e todo cuidado é pouco na hora de usá-lo. Os juros altos podem virar uma bola de neve e quando menos se espera, tem-se uma dívida enorme.

Se você está passando por uma crise financeira, o cheque especial não é a melhor solução de empréstimo, mesmo agora com os juros menores. Até o ano passado, a taxa do cheque especial era de 12% em média, agora passará a ser 8%.

Enquanto isso, a taxa do crédito pessoal é de 5,9% ao mês, podendo diminuir ainda mais se você optar pelo crédito consignado, aquele que é vinculado ao salário, que tem taxa de 2,5% para quem trabalha no setor privado, e a 1,4%, para quem está no serviço público.

Seja qual for a sua escolha, o importante é ter conhecimento dos riscos e vantagens das mudanças adotadas pelo Banco Central.

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