Endividamento de risco afeta 4,6 milhões de pessoas no Brasil

Número pode crescer com os efeitos da pandemia de covid-19

Segundo dados do Banco Central, de todas as 85 milhões de pessoas endividadas no País, 4,6 milhões (5,4%) encontram-se em endividamento de risco. Os dados são de um levantamento realizado entre 2016 e dezembro de 2019, a partir das informações cadastradas no Sistema de Informação de Crédito (SCR).

Para que um devedor seja considerado como um endividado de risco, ele tem que atender, ao mesmo tempo, a pelo menos dois de quatro critérios: inadimplência; exposição a cheque especial, crédito pessoal não consignado e rotativo do cartão ao mesmo tempo; comprometimento de renda acima de 50%; e renda disponível abaixo da linha da pobreza (R$ 387,07 mensais) após o pagamento de dívidas.

Entre os quatro indicadores, a inadimplência é o maior problema, afetando cerca de 10,3 milhões de pessoas (12,1%)

Logo depois, vem o comprometimento de renda acima de 50%: 9,8 milhões de pessoas (9,8%)

Cerca de 3,4 milhões de pessoas utilizam multimodalidade de crédito (4%)

Entre os devedores, 2 milhões de pessoas ficam com renda abaixo da linha de pobreza após o pagamento de suas dívidas.

Dos 4,6 milhões de endividados em risco, 4 milhões atendem somente a dois dos critérios. Além disso, 588 mil atendem a três critérios e 39 mil atendem a todos eles. 

Além de afetar seriamente a qualidade de vida de indivíduos e famílias, o endividamento de risco representa um grande perigo para o sistema financeiro dos países ao redor do mundo, especialmente em um momento de muita incerteza econômica, como é o caso da pandemia de covid-19 neste ano.